Sophia Deusa da Sabedoria.

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Sophia é homenageada como uma Deusa da sabedoria por gnósticos, bem como por alguns neopagãos. Para ortodoxos e o cristianismo católico romano Sophia ou melhor, Hagia Sophia (Santa Sabedoria) é uma expressão de entendimento para a segunda pessoa da Santíssima Trindade, não um anjo ou Deusa.

Sophia é filha de um par primordial de invisíveis e inefáveis seres transcendentais, chamados de Profundidade (masculino) e Silêncio (feminino). Deste par surgiram 30 emanações ou Aions, compostos de um Aion masculino e um feminino cada. Sophia contudo separa-se de seu par, que em muitas variantes do mito é chamado de Vontade. Tendo perdido seu gêmeo, o seu amor divino é pervertido em “hubris” ou orgulho excessivo e arrogante.

Ela abandona o caminho do coração que compreende (gnosis kardias) e vai em busca do conhecimento apenas do poder da mente.

Distante do abraço da totalidade divina e dos braços de seu consorte, sem conformar-se com a natureza do par primordial, ela se torna convencida da futilidade de seus esforços mal concentrados. Entretanto, sua paixão pelo conhecimento e seu desejo pelo pai-mãe tiraram de dentro de seu ser entidades curiosas, que subsistiram como criaturas vivas e impuras no abismo. Sophia neste instante, parece dividir-se em duas personalidades; uma mais elevada e outra inferior.

A Sophia mais elevada é purificada e equilibrada, pois encontra-se unida ao seu consorte, restaurando assim a integridade da ordem divina. A Sophia inferior em contrapartida, permanece na escuridão externa, onde ela dá vida à um monstro disforme descrito como “fruto feminino fraco”. Pouco a pouco, numerosos arquétipos de luz e trevas se acercarão dela.

O Demiurgo, princípio criador e preservador dos cosmos diferenciado e material ganha vida e assim, como sua contraparte espiritual, o Jesus Aion. Jesus desce até o universo material onde irá resgatar Sophia do domínio do Demiurgo, que a mantém cativa do mesmo modo que Teseu aventura-se para salvar a donzela-sábia das garras do touro-monstro.

A tarefa de salvar Sophia só se concretiza através do amor sexual e marital entre os dois, que provocará a purificação e o autêntico despertar. Jesus seria então, um “noivo celestial” que resgata sua amada. A associação com a imagem de Maria Madalena surge aqui, pois numerosas passagens nas variantes gnósticas dos Evangelhos revelam que esta figura feminina é a encarnação de Sophia.

Contudo ainda resta a Sophia, desculpar-se com os doze poderes governantes que hostilizou com seus caprichos, ato este denominado de doze arrependimentos. Sofia chora aos doze poderes e conquista sua influência poderosa.

Guiada por poderes angélicos e arcangélicos e sustentada pelo amor de seu noivo Jesus, ela entra em seu eterno lar de luz e de alegrias sem limites. Assim termina a história de Sophia, que depois de descer para a alienação e o caos, invocou à Luz, recebendo a força e a santificação de sua união com Jesus, recuperando seu Trono da Sabedoria.

Salvas a Sophia!

Imagem: Digital Art by InaWong.

http://inawong.deviantart.com/art/Athena-421886799

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