
Nos tempos atuais a referência da tradição cristã sobre a celebração natalina é muito disseminada. No entanto, poucas pessoas sabem reconhecer a importância dos símbolos que são cultuados nesta celebração e principalmente não sabem a origem de toda essa cultura.
É impossível discutir a tradição do Natal sem mencionar o contexto histórico que está inserido nesta cerimônia. A história da civilização humana é marcada pela manifestação religiosa em várias vertentes ideológicas, desde as civilizações antigas como a egípcia (mais de 3.000 anos a.c.) até os efervescentes novos movimentos religiosos como a ciberreligiosidade. Façamos portanto, uma viagem ao tempo dos nossos antepassados, devotos do que chamamos de paganismo (do latim Paganus, que significa camponês, rústico) um termo geral e normalmente utilizado para se referir a tradições religiosas politeístas.
Neste período a humanidade comungava a conexão com a natureza, coexistindo em harmonia com os fenômenos naturais e suas mudanças geoclimáticas. No comportamento humano, a fé já demostrava sua importância para o enfrentamento dos momentos de vulnerabilidade nos desafios cotidianos. Além disso, devido as características de nosso planeta, sempre estivemos presos ao movimento solar que influencia contrariamente o hemisfério norte e sul. Por esta razão, enquanto nossos antepassados do norte celebravam o “Festival de Yule” (solstício de inverno) em meados de 21 de dezembro, nossos ancestrais do hemisfério sul celebravam o “Festival Litha” (solstício de verão).
O Festival de Yule celebra o inverno na Roda do Ano no qual o Deus Sol pai (agora velho) é substituído pelo seu filho, a Criança prometida, o novo Deus Sol que acaba de nascer do ventre da Grande Deusa. Para outros, Yule marca a vitória do Deus da Luz (Rei do Carvalho) sobre o Rei das Sombras (Rei do Azevinho), pois a partir desse momento os dias se tornarão visivelmente mais longos com o passar do tempo, mesmo com frio. Este Sabbat representa o retorno da luz. Aqui, na noite mais escura e fria do ano a “Criança do Sol” e as esperanças renascem, pois ela trará calor e fertilidade à Terra.
A Árvore de Natal, decorada com bolas e uma estrela no topo na atualidade é semelhante ao antigo pinheiro verde (árvore da Deusa) que os pagãos colocavam dentro de casa para que os espíritos da Natureza tivessem um lugar confortável para permanecer durante o Inverno frio. A árvore era decorada com velas, sinos, comidas e símbolos fálicos (relacionados ao Deus) encimada por um Pentagrama, o símbolo da Bruxaria. Os espíritos da Natureza eram presenteados (presentes de Natal) e as pessoas pediam aos elementais que as mantivessem tão vivas e fortes durante o Inverno como a árvore que recebia lindos enfeites. As guirlandas, o azevinho e até a Tora de Yule (Yule Log) queimando no fogo, são todos costumes pagãos. Bonecas de milho eram carregadas de casa em casa com canções típicas de Yule. Os primeiros pagãos acreditavam que esse ato traria as bênçãos da Deusa às casas que fossem visitadas pelas bonecas (Corn Dollies).
Era um tempo ideal para colher o visco, considerado muito mágico para os Antigos Druidas, que o chamavam de “Ramos Dourados”. Os Druidas acreditavam que o visco possuía grandes poderes de cura e possibilitava ao homem mortal acessar o “Outro Mundo”. O visco é um dos símbolos fálicos do Deus e possui esse significado baseado na ideia de que as bagas brancas representam o “Divino sêmen do Deus”, em contraste às bagas vermelhas do azevinho, semelhantes ao “sangue menstrual da Deusa”. O visco representa a simbólica substância divina e o senso de renovação que todos precisam possuir nos tempos de Yule.
As cores tradicionais do Natal, verde e vermelho, também são de origem pagã, já que esse é um Sabbat que celebra o fogo (vermelho) e usa uma Tora de Yule (verde). Um pedaço de tronco que havia sido preservado durante todo o decorrer do ano era queimado, enquanto um outro novo era enfeitado e guardado para proteger a casa durante o ano que viria. Os troncos geralmente eram decorados com símbolos que representassem o que as pessoas queiram atrair para suas vidas.
A tradição da Tora de Yule se perseverou até os dias atuais entre os Wiccanos, que fazem três buracos ao comprimento de um pequeno tronco e colocam três velas em cada buraco, uma branca, uma vermelha e uma preta para simbolizar a Deusa Tríplice. A Tora de Yule também é decorada com azevinho sempre verde para simbolizar a união da Deusa e do Deus.
Para os antigos Celtas, celebrar o Solstício de Inverno era o mesmo que reafirmar a continuação da vida, pois Yule é o tempo de celebrar o espírito da Terra, pedindo coragem para enfrentar os obstáculos e dificuldades que atravessaremos até a chegada da Primavera. É o momento de contar histórias, cantar e dançar com a família, celebrando a vida e a união.
O tema principal desse Sabbat é a Luz em todas as suas manifestações, seja o fogo da lareira, seja de uma fogueira, de velas, etc. A Luz nesse Yule torna-se um elemento mágico capaz de ajudar o Sol a retornar para a Terra, para nossa vida, corações e mentes.
Que a Luz do novo Deus esteja conosco!
Feliz Natal.
Imagem: Google images – unknown artist.