Os Três Reis Magos: astrólogos, bruxos e alquimistas.

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Embora o cristianismo renegue certa classe de homens sábios e os tenha perseguido durante séculos, a eles dedica um dos dias mais importantes de seu calendário: o “dia dos reis magos”. Na tradição ocidental é o dia 06 de janeiro, quando se costuma desfazer a decoração de Natal. Em alguns lugares do Brasil, como no Espírito Santo, na Bahia e em Minas Gerais, comemora-se a “folia de reis”, festa enraizada na colonização portuguesa.

Os reis magos Baltazar, Gaspar e Belchior (ou Melchior) são mencionados no Evangelho de Matheus, ainda que não conste seus nomes, nem que eram três e nem tão pouco que eram reis… Está escrito apenas “magos” ou “magoi” em grego. No entanto, afirma que seguiram a estrela e quando chegaram até Jesus presentearam-no com incenso, ouro e mirra. É oportuno esclarecer que, segundo alguns historiadores, o dia do nascimento de Jesus foi dia 17 de abril do ano 6 a.C., considerando-se as correções do calendário gregoriano, e não dia 25 de dezembro. Tal data, na verdade foi uma manobra da Igreja para aproximar o evento às comemorações do dia de Hélio, Deus Sol, celebrado no Solstício de Verão pelos pagãos.

Os nomes dos três Reis Magos são referências apócrifas que a Igreja não conseguiu apagar da memória e da tradição popular. Gaspar significa “aquele que vai inspecionar”; Belchior quer dizer: “Meu Rei é Luz” e Baltazar se traduz por “Deus manifesta o Rei”. Naquela época, para se saber o lugar e o dia do nascimento do Messias, tais homens tinham que conhecer o mapa do céu, eis porque seguir a singular estrela, que no caso, tratava-se de uma conjunção de Marte/Saturno/Júpiter, dando a impressão para quem olha da Terra, de ser uma grande estrela, o que prova que eram astrólogos. Além disso eram também alquimistas, porque seus presentes possuíam uma referência estritamente conhecida apenas pelos discípulos da filosofia mágica. Melchior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis. Gaspar ofereceu-lhe incenso (ou olíbano) em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes. Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, veem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade. Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta.

Uma das críticas mais severas feitas aos textos herméticos foi de que eles não eram tão antigos quanto se imaginava, haviam sido escritos entre os séculos II e IV d.C. e eram na verdade, fruto de um substrato pagão do cristianismo gnóstico que quis corroborar o nascimento de Jesus como o Messias, uma vez que em tais textos consta que “o verbo se tornaria carne”. Pois bem, os tais magos pertenciam à Escola de Hermes, o Hermes Trismegisto (um legislador egípcio, pastor e filósofo, que viveu na região de Ninus por volta de 1.330 A.C) onde se estudava a prática da filosofia oculta e da magia, associadas aos antigos escritos atribuídos a Hermes. Por isso três magos: um velho, um jovem e um adulto. Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia. Os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes, os reis e os povos de todo o mundo.

Acredita-se que suas relíquias ósseas estão guardadas na Catedral de Colônia na Alemanha, em uma magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes. As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas a Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente. Depois foram transferidas a outra capital imperial no Ocidente, Milão, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).

Somente tais sábios poderiam reconhecer na época a grandeza de outro mago a nascer: Jesus. Sim, pois dentro do que se compreende por “magia” (poder de curar, mover montanhas, águas, mudar o curso das estrelas, proliferar coisas, enfim…), podemos afirmar que um dos maiores magos de todos os tempos foi Jesus. E sua ida ao Egito, sede das grandes escolas de magia, não foi à toa. A ciência sagrada, como entendida pelos antigos sábios, era composta por quatro artes: a Magia, a Astrologia, a Cabala e a Alquimia, isto é, artes associadas ao movimento, à luz, ao verbo e ao calor.

A palavra “mago”, no evento bíblico citado, deriva do persa Mobed, Megh e ainda Meh-ab, que queria dizer homem de grande de força, e Magusk, homem sábio. Os discípulos de Zoroastro, por exemplo, eram chamados de Megh-estom. E tanto Moisés, como Daniel foram magos que praticaram a magia caldaica e egípcia. Nesse caso, a palavra mago em caldeu deriva de magh ou mah-hindu, que significa um homem versado em ciência secreta e esotérica. Por todos estes significados fica impossível precisar a origem da palavra magia, tanto quanto indicar o dia em que nasceu o primeiro homem, pois a magia é tão antiga quanto o homem, como afirma Helena Blavatsky. No entanto, alguns autores modernos esforçam-se para provar que Zoroastro foi o fundador da magia, unicamente porque foi o fundador da religião dos magos. Mas a prática da magia pode ser observada em outras culturas, as quais nunca tiveram contato entre si. Cada uma das religiões, onde a magia é praticada de alguma forma, baseia-se nos estudos dos conhecimentos ocultos da natureza e maneiras de manipulá-la, juntando-se à ela o conhecimento da alquimia e da astrologia.

A palavra magnetismo, por sua vez vem de Magnésia, cidade antiga da Tessália, onde se encontravam muitas pedras imantadas. E não foi difícil estabelecer-se uma associação entre a ideia de magia e magnetismo, visto que ambas pressupõem um poder simpático e de atração. Já o parônimo de mago, “mágico” assumiu um significado muito diferente do que teve no passado. Hoje é associado ao embusteiro e charlatão. Mas em sua origem era sinônimo de honrado e respeitável, possuidor do conhecimento e da sabedoria.

Contudo, o mais importante na data de hoje, embora a documentação do processo histórico esteja repleta de lacunas, é a compreensão de que esses três magos, através de seu conhecimento astrológico, foram capazes de encontrar e abençoar aquele que seria o Messias e transformaria a história da humanidade para sempre.

Salvas aos Magos Baltazar, Gaspar e Belchior!

Imagem: Unknown Artist – Google Images.

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