O Sagrado Feminino.

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O feminino foi reverenciado desde o início da humanidade. Entre as culturas neolíticas e paleolíticas quase sempre era cultuado na forma de uma Grande Mãe geradora e transformadora de toda vida. Em sociedades posteriores, suas faces foram se diversificando, sendo assimiladas e acolhidas em panteões de Deuses e Deusas. Em todo o mundo existiam divindades femininas que representavam faces de um feminino complexo, onde coexistiam forças de criação e morte, amor e guerra, sexualidade, poder, beleza, transformação, etc numa infinidade de energias ligadas ao feminino, muitas delas hoje esquecidas ou mal compreendidas.

Dentre tantas culturas onde o feminino era percebido como sagrado, poucas foram as que sobreviveram como culto “vivo” as culturas patriarcais e as perseguições religiosas. Dentre elas, encontramos as tradições Shaktas-tantrikas na Índia (culto ancestral das devis/Deusas indianas), as tradições africanas que ainda são fortes nos países de diáspora, como no Brasil e em tradições nativas ao redor do mundo. Porém, muitos cultos foram praticamente perdidos em sua oralidade, como no caso dos cultos das Deusas das tradições europeias, greco-romanas, celticas, vikings, etc e foram resgatados há apenas algumas décadas. Hoje, encontramos em todo o mundo, tradições que retomam estes conhecimentos e procuram pratica-las em novas roupagens. O movimento de Espiritualidade da Deusa se espalhou e a cada dia mais, multiplicam-se os covens ou círculos de mulheres e homens que trabalham com estas energias. Na psicologia moderna, especialmente na psicologia junguiana, estas Deusas passaram a exercer um papel importante na compreensão da psicologia dos arquétipos, possibilitando o estudo do feminino profundo que remete a nossa ancestralidade e ao universo do inconsciente coletivo.

Extensas escavações na arqueologia sobre o feminino vêm possibilitando a realização de trabalhos, artigos e estudos. Alguns autores são essenciais para a compreensão deste “sítio arqueológico”, como os trabalhos de Erich Neumann, Riane Eisler e Marija Gimbutas. Além disso, os oráculos se tornaram um valioso recurso de compreensão destes arquétipos femininos, alguns dos mais importantes são o “Oráculo da Deusa” (Amy Sophia Marashinsky) , The Goddess Tarot (Kris Waldherr) e o Tarô da tríplice Deusa (Isha Lerner) e Mãe Paz (Vicki Noble). Porém, são incontáveis as fontes de estudo e graças à internet, temos muito material disponível para leitura. No entanto, apesar de termos diante de nós diversas fontes, falar em feminino sagrado é sem dúvida, falar sobre o contato com nossa própria fonte de conhecimento e sabedoria interna, do acesso a intuição e ao caminho do coração. Portanto, os estudos podem nos guiar a uma melhor compreensão deste conhecimento, mas o seu acesso profundo, só acontecerá na medida em que nos entregarmos a esta força e a confiarmos em sua presença, dentro e ao redor de nós. Viva e expresse seu valor feminino! Sinta sua natureza e se apodere dessa herança. Que a força do seu Sagrado Feminino esteja sempre presente em sua vida.

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Imagem: Unknown Artist on google.

http://www.nasouthjersey.com/SJER/May-2016/The-Divine-Feminine/

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