Festival Romano Liberália. 

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A Liberália foi um festival da Roma Antiga, realizado no dia 15 de março do calendário da época. O festival celebrava o Deus Liber e marcava a passagem de um jovem romano para a vida adulta. O Deus era considerado a divindade da fertilidade dos campos e da fecundidade dos animais e seu símbolo é o falo. Diferente de outros festivais da época, o sacrifício oferecido na Liberália não era animal, mas sim a toga praetexta, a bulla e bolos de mel que eram feitos e oferecidos ao Deus.

Em Roma, Liber era venerado como um dos integrantes da Tríade Plebeia (Ceres, Liber e Libera) cuja composição acredita-se ter se dado por razões ideológicas, servindo como um contrapeso para a tríade patrícia capitolina. A divindade principal deste grupo foi sempre Ceres, que indiretamente contribuiu para a marginalização do culto de Liber em Roma.

Liber é uma antiga divindade itálica representada por um falo, que simbolizava a fertilidade e cuja tarefa era proteger as plantações. Era considerado uma divindade agrária, cujo nome aparece nas inscrições arcaicas de Latium. Alguns estudiosos o incluem entre os Dei Consentes (Deuses Harmoniosos), grupo dos principais Deuses e Deusas romanos.

O principal fator que levava Liber a ser assimilado com Dionísio era sua ligação com o vinho. Liber era a divindade responsável por uma etapa da produção, a fase de pressionar as uvas, cujo produto resultante ainda não era o vinho, pois outras etapas eram necessárias até o produto final. Além disso, era Jove, outra divindade romana, considerado patrono do vinho italiano, fato que reitera as divergências em relação à conexão de Liber com Dionísio. No entanto, ao final do terceiro e início do século II a.C., alguns autores latinos foram adaptando textos literários gregos para a realidades romana e eles acabaram por negar a ligação de Dionísio com Jove, uma vez que Liber era a única divindade nativa cujas competências condiziam com as do Deus grego.

O nome Liberália é derivado do nome do Deus Liber, que é considerado a versão romana de Dionísio. No entanto, as fontes não são conclusivas sobre isso. Existe a teoria de que o festival possa ter tomado este nome por conta da toga libera, vestimenta que os jovens romanos deveriam usar no dia do festival.

O festival Liberália gera bastante discussão entre os estudiosos, uma vez que alguns afirmam ser Liber o nome latino de Dionísio. O pesquisador Jean Toutain ressaltou que o festival não tem nada em comum com as festas dionisíacas, o que traz dúvidas em relação ao festival ter sido de fato dedicado ao Deus grego.

Durante a primeira fase do ritual, o efebo tinha sua genitália inspecionada, seu cabelo cortado e sua barba feita, os resquícios eram guardados em um compartimento para assim como a toga praetexta e a bulla, serem ofertados pelo jovem aos Deuses Lares de sua casa. A seguir, ele vestia a toga virilis, que o assinalava como homem e cidadão ativo. Após este ato, os adulescentis eram conduzidos publicamente por seus pais ou tutores ao forum romanum, trajando pela primeira vez a toga virilis.

Salvas a Liber!

Imagem: Peter Paul Rubens (1619)

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