Dia em Honra da Deusa persa Anahita.

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Ardvi (ou Aredvi) Sura Anahita (Arədvī Sūrā Anāhitā) ou simplesmente, Anahita (que significa “A força imaculada da água”) é a Deusa persa antiga que personifica a fonte celeste de todas as águas da terra, sendo o poder fertilizador da Lua, da água e da chuva – a água que vem das estrelas, por isso ela também é vista como uma Deusa do Amor e é responsável pela produção da vida. É padroeira da reprodução, aquela que purifica o sêmen do homem e abençoa o ventre e os seios da mulher.

Anahita personifica as qualidades físicas e metafóricas da água (úmida, forte, imaculada) especialmente o poder fertilizador que fluía da sua fonte sobrenatural nas estrelas e ela regia todas as águas: dos rios, córregos, cachoeira, lagos, mar, chuva, o orvalho e o líquido amniótico. Devido às suas qualidades maternais, Anahita presidia na concepção e geração das crianças (purificando o sêmen, fortalecendo o útero e abençoando o leite) sendo portanto, a padroeira das mulheres e crianças, uma das muitas manifestações da Grande Mãe das tradições orientais.

Por sua associação com a Lua ela também é tida como uma Deusa da noite e das estrelas. Em dado momento ela era a figura da mãe, a que nutria. E em outro, a da guerreira, a que defende seus protegidos, a Senhora da vitória nas guerras.

Nas suas representações Anahita aparece ora como uma linda donzela com um diadema de ouro e carregando um jarro com água, ora como Mãe dourada, protetora do seu povo, nutrindo e protegendo-o dos inimigos. Suas estátuas a representam vestindo um manto dourado e bordado, preso com um cinto de ouro, enfeitado com peles de lontra e com uma flor de romã entre os seios. A sua coroa de ouro tem oito raios e dezenas de estrelas e ela usa brincos, colar e sapatos com enfeites de ouro.

Anahita se desloca em uma carruagem dourada, puxada por quatro cavalos brancos, representando o vento, a chuva, as nuvens e o granizo. Seus animais sagrados eram a pomba, a ovelha, a lontra (cuja pele reflete matizes douradas e prateadas) e o pavão por sua extrema beleza. Com o passar do tempo, Anahita foi adquirindo cada vez mais características da Deusa Ishtar, recebendo o título de “Senhora” e a sua carruagem passou a ser puxada por leões. Diferente de outras Deusas leoninas, os leões de Anahita são mansos e bebem água de uma vasilha colocada sob as rodas da carruagem, realçando assim a conexão da Deusa com a água.

Talvez tenha sido por influência dessas imagens com leões que a Deusa foi ganhando uma imagem de guerreira protetora do seu povo, descrita como sendo alta e possuidora de bastantes jóias, mas com aspecto forte de guerreira e olhar intenso. Era vista como uma mulher feroz e ameaçadora, mas também terna e sedutora. Uma mulher bastante sensual e misteriosa.

Por personificar a fertilidade da água, ela era a padroeira da procriação e dos nascimentos e o hieros gamos “casamento sagrado” fazia parte dos seus rituais. Filhas das famílias nobres eram entregues aos templos para servirem por algum tempo como hierodulas ou “amantes sagradas”; na Babilônia as jovens da nobreza ofertavam à Deusa sua virgindade. Os ritos sexuais que aconteciam nos seus templos visavam purificar a concepção e a geração de filhos abençoados por ela.

Com o passar do tempo, o enfoque dos rituais de Anahita passou a ser o seu aspecto marcial como Deusa padroeira da guerra e doadora das vitórias. Os guerreiros e chefes das tribos faziam grandes sacrifícios de animais brancos invocando a sua proteção e ajuda. Após os sacrifícios havia uma ceia comunitária com farto consumo da carne e de uma bebida ritualística, haoma, que era abençoada com encantamentos especiais, para afastar os maus espíritos e induzia um estado alterado de consciência favorecendo o contato com os Deuses.

O culto de Anahita se originou na Babilônia, sendo uma amalgamação de uma divindade indo-iraniana (o espírito das águas que fluíam do monte sagrado Hara) e das grandes Deusas do Oriente próximo. O povo armênio a chamava de “Grande Senhora Anahita, doadora de vida e de gloria para o nosso povo, benfeitora da humanidade”. Suas bênçãos conferiam fertilidade e prosperidade ao país e os reis eram coroados nos seus templos pelas rainhas, para assim receber sua bênção e proteção. Da Armênia seu culto alcançou diversas regiões do leste de Ásia, se tornando preponderante na Pérsia no tempo de Zoroastro.

Com a chegada do islamismo no séc. VII, o zoroastrismo perdeu sua posição de religião dominante no Irã, seus adeptos foram convertidos e os templos de Anahita transformados em mesquitas. Porém mesmo na era pós-zoroastriana, o imperador Artazerzes II (que regeu entre 404-358 a.c.) dedicou inúmeros templos e estátuas para Anahita, que continuou sendo reverenciada em diversas cidades como uma poderosa e amada Deusa, antes que o seu culto fosse diminuindo e substituído pelo de Mithra e Ahura Mazda.

Nas escavações dos templos de Anahita na Pérsia (agora em ruinas) foram achados nas paredes adornos em prata e ouro, além de inúmeras jóias de ouro incrustadas com pedras preciosas, que tinham sido ofertadas à Deusa. Em Lorestan foram achados objetos datados do primeiro milênio a.c. diversas argolas de bronze e cobre, com placas gravadas com a figura e o nome da Deusa. O achado mais importante foi de uma estatueta de argila de 19 cm, adornada com pulseiras, brincos e colar de esmeraldas, enquanto em várias moedas a cabeça da deusa aparecia envolta em um halo de luz.

Em Bishapur, no lugar do templo e palácio construídos por Artaxerxes, existia um canal que trazia água do rio Shapur e o distribuía ao redor do complexo de escadas e paredes, passando sob o templo e dando assim a impressão de uma ilha nascendo das águas abençoadas da Deusa. Sob as ruinas dos templos de Anahita foram encontradas fontes encrustadas nas rochas e o som sagrado das suas invocações era chak-chak, significando “gotejar” na língua persa.

Salvas a Anahita!

Imagem: Digital Art by Michael C. Phifer.

http://mikephifer.deviantart.com/art/Anahita-by-Tooba-Rezaei-for-GODS-and-GODDESSES-599345778

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