Festival de Yule – Solstício de Inverno.

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Yule é a antiga e milenar celebração do Solstício de Inverno (quando o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do equador) que ocorre por volta de 21 de dezembro no Hemisfério Norte e 21 de junho no Hemisfério Sul.

É impossível discutir as Tradições de Yule sem mencionar o Natal. Muitos dos costumes de Yule foram absorvidos pela Igreja cristã, quando o Cristianismo tentava se estabelecer na Europa. O Natal Cristão já foi festejado em várias datas diferentes no decorrer dos séculos, mas se estabeleceu no dia 25 de dezembro, pois associou muitos dos costumes da antiga e milenar celebração do Solstício de Inverno. As Tradições Cristãs dizem que Maria deu à luz Jesus no vigésimo quinto dia, mas não confirma de qual mês. Finalmente em 320 d.C. a Igreja Cristã decidiu marcar o nascimento de Cristo em dezembro, associando definitivamente a celebração com o culto sagrado do Solstício de Inverno dos celtas e saxões.

Há muitas práticas que são utilizadas por Cristãos hoje que possuem origens essencialmente Pagãs. A Árvore de Natal, decorada com bolas e uma estrela no topo, tem uma grande semelhança com a antiga árvore que os pagãos decoravam nos tempos ancestrais com velas, comidas e bolas coloridas (símbolos fálicos relacionados ao Deus) encimada por um Pentagrama, o símbolo da Bruxaria que representa a união dos 5 elementos da vida. As guirlandas, o azevinho e até a Tora de Yule queimando no fogo são todos costumes Pagãos.

Muitos Pagãos celebram Yule como o festival da Luz, que comemora a Deusa como Mãe que dá nascimento ao Deus Sol, a Criança da Promessa. Outros celebram a vitória do Deus da Luz (Rei do Carvalho) sobre o Rei das Sombras (Rei do Azevinho), pois a partir desse momento os dias se tornarão visivelmente mais longos com o passar do tempo, mesmo com frio.

Esse Sabbath representa o retorno da luz. É quando na noite mais escura e fria do ano, a Deusa dá nascimento à Criança do Sol e as esperanças renascem, pois essa criança trará calor e fertilidade à Terra. Yule é o tempo de celebrar o Deus Cornífero. Nesse dia, muitas tradições Pagãs se despedem da Deusa e dão boas-vindas ao Deus, que governará a metade clara do ano.

Dezembro era considerado um tempo ideal para colher o visco, muito mágico para os Antigos Druidas, que o chamavam de o “Ramos Dourado”. Os Druidas acreditavam que o visco possuía grandes poderes de cura e possibilitava ao homem mortal acessar o Outro Mundo (A Espiritualidade). O visco é um dos símbolos fálicos do Deus e possui esse significado baseado na ideia de que as bagas brancas representam o Divino sêmen do Deus, em contraste às bagas vermelhas do azevinho que representam o sangue menstrual da Deusa. O visco representa a simbólica substância divina e o senso de imortalidade que todos precisam possuir nos tempos de Yule.

A Tradição da Árvore de Natal tem origem nas celebrações Pagãs de Yule, nas quais as famílias traziam uma árvore verde para dentro de casa para que os espíritos da Natureza tivessem um lugar confortável para permanecer durante o Inverno frio. Sinos eram colocados nos galhos da árvore. Os espíritos da Natureza eram presenteados e as pessoas pediam aos elementais que as mantivessem vivas e fortes durante o Inverno, assim como a árvore que recebia lindos enfeites.

O pinheiro sempre esteve associado com a Grande Deusa. As luzes e os ornamentos como Sol, Lua e estrelas que faziam parte da decoração das árvores, representavam os espíritos que eram lembrados no final de cada ano. Presentes eram colocados aos pés da árvore para as Divindades e isso resultou na moderna troca de presentes da atual festa natalina.

As cores tradicionais do Natal, verde e vermelho, também são de origem Pagã, pois este é um Sabbath que celebra o Fogo (vermelho) e usa uma Tora de Yule (verde). Um pedaço de tronco que havia sido preservado durante todo o decorrer do ano era queimado, enquanto um outro novo era enfeitado e guardado para proteger toda casa durante o ano que viria. Além disso, esses troncos geralmente eram decorados com símbolos que representassem o que as pessoas queiram atrair para suas vidas.

Para os antigos celtas, celebrar o Solstício de Inverno era o mesmo que reafirmar a continuação da vida, pois Yule é o tempo de celebrar o espírito da Terra, pedindo coragem para enfrentar os obstáculos e dificuldades que atravessaremos até a chegada da Primavera. É o momento de fraternidade, contar histórias, canta e dançar com a família, celebrando a vida e a união.

O tema principal desse Sabbath é a Luz em todas as suas manifestações, seja o fogo da lareira, seja de uma fogueira, velas, etc. A Luz nesse Festival torna-se um elemento mágico capaz de ajudar o Sol a retornar para a Terra, para nossas vidas, corações e mentes.

Happy Yule, que a Luz Brilhe cada vez mais forte!

Imagem: Illustration by Susan Seddon-Boulet.

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