Dia em Honra de Ishtar.

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A Deusa da Lua cujo culto foi mais disseminado na Antiguidade foi Isthar da Babilônia. Ishtar é a Deusa dos acádios (pessoas que residiam na região da baixa Mesopotâmia) herança dos seus antecessores sumérios (civilização muitas vezes considerada como a mais antiga já conhecida, tendo seu início a 4 milênios a.c) cognata da Deusa Isis dos egipcios, Inanna dos sumérios e da Astarte dos Gregos, além de Easter na mitologia nórdica e de outros nomes.

Ela é a antiga divindade que representava a fertilidade, suas histórias são derivadas das histórias de Inanna da Suméria, mas seu culto floresceu na Babilônia dos Assírios, quando Ishtar era a principal divindade e se expandiu por quase toda a Ásia. Ishtar era importante como uma Deusa mãe, Deusa da terra, Deusa do amor e da guerra. Nas antigas religiões do oriente médio e posteriormente na Grécia, Roma e no oeste da Ásia, Ishtar é o grande símbolo da fertilidade da terra. Ela é adorada sob vários nomes como vimos anteriormente.

Ishtar é a personificação da força da natureza que tanto dá quanto tira a vida. É a Deusa da fertilidade que doa o poder de reprodução e crescimento aos campos e para todos os animais, inclusive para nós seres humanos. Tornou-se Deusa do amor sexual (por ser uma Deusa da fertilidade) protetora das prostitutas e do parto. Ela é a própria lua, rainha das estrelas e do céu. Como a figura de Mãe terrível, Deusa das tempestades e da guerra, era também a provedora de sonhos e presságios, da revelação e compreensão das coisas que estão escondidas, além de Deusa da magia.

Ishtar governa os ciclos da lua, meses do ano e ainda a fertilidade da terra, sendo assim tudo o que nasce é considerado como sua cria. Seu filho Tamuz era considerado a vegetação de toda a terra. O mito diz que ao crescer e obter virilidade ele se torna seu amante, entretanto, ano após ano, ela o condena à morte. Na época do solstício de inverno, ele morre e vai para o submundo. Para logo depois, simbolicamente ressurgir para mais um ciclo de morte e renascimento, salvo pela descida dela ao submundo, restaurando a vida de Tamuz. O mito da descida ao submundo representa a época do ano quando os suprimentos de comida estão em seu ponto mais crítico, no final do inverno. A sua morte representa o término da comida que havia sido guardada e a sua ressurreição representa a promessa da nova colheita.

A fertilidade dos campos e o mistério que envolve as colheitas anuais, se reflete no ritual, onde a fertilidade feminina é adorada. A fertilidade é um mistério e então as mulheres passam a representar o papel de portadoras deste mistério. Uma das consequências desta adoração é a adoção de rituais ligados ao sexo. Heródoto descreve sobre as práticas da prostituição sagrada na antiga Babilônia, onde a fertilidade é um mistério e ao mesmo tempo uma obrigação “O costume babilônico mais sujo é o que compele toda mulher da terra, ao menos uma vez na sua vida, se sentar no templo de Mylitta e ter relações com algum estranho.” (Mylitta era o nome Assírio para Afrodite). Mas a intenção desses ritos não era “suja” e sim religiosa, não só escravas eram compelidas a deitar-se com homens desconhecidos, mas também as filhas dos mais nobres e quando recebiam dinheiro este era considerado sagrado e nenhuma mulher o recusava, não era um suborno e sim uma troca sagrada em nome da Deusa.

As mulheres eram o intermédio entre a divindade e a humanidade e era costume que moças servissem de prostitutas sagradas por longos períodos e depois fossem dadas ao casamento e ao contrário do que se pensa, ninguém as desdenhava.

Por dois dias, ao final do mês de maio, os romanos celebravam a Festa da Rainha do Submundo, uma celebração em honra as deusas do submundo Hécate, Cibele e Ishtar. Durante as noites de lua cheia, alegres celebrações aconteciam em seus templos. Nestes ritos as mulheres eram sacerdotisas e em seus templos recebiam amantes para expressar a sexualidade como um dom sagrado de Ishtar. Estes ritos permitiam aos humanos que comungassem com a Deusa.

Apesar de Isthar ser conhecida no Oriente Médio como a Deusa do amor, ela era conhecida também por sua ferocidade nas batalhas e na proteção de seus seguidores. Quando neste aspecto, Isthar conduzia uma carruagem puxada por sete leões ou sentava-se num trono ornado com leões, portando um cetro de serpente duplo e ladeada por dragões.

Salvas a Ishtar!

Imagem: Digital Art by Roberto Ferri.

https://goo.gl/tGeXdX

Sabbath Mabon.

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Mabon, Equinócio de Outono, Encontro do Inverno, Winter Finding, Alban Elfed, Colheita do Vinho, Cornucópia, Festa de Avalon ou simplesmente Segunda Colheita é o segundo dos três Sabbaths da colheita. É tempo de dar graças pelos frutos colhidos e a Deusa é a Senhora da Abundância, cuja colheita nos sustentará pelos meses escuros do Inverno. Essa abundância e energia da terra refletirá sobre nós mesmos, sobre o equilíbrio da escuridão e da luz no universo num esforço para manter o equilíbrio interno de todos os seres.

A Deusa está agora fortemente impregnada pela energia do Sol e a partir de agora os dias e as noites estão em equilíbrio, são exatamente iguais. Conforme o poder dele diminui, a Deusa lamenta sua partida, mas Ela sabe que o poder do Deus retornará à Terra em Yule.  É um tempo de equilíbrio e balanço, mas as sombras começam a dominar a luz. Isso está associado com o interior do chifre, um dos símbolos desse Sabbath (a cornucópia) e a contemplação da colheita.

Nesse Sabbath a Deusa lamenta o seu consorte que está partindo para Outro Mundo (ficando velho) mas a mensagem de renascimento pode ser encontrada em cada semente colhida, que é o próprio Deus que se sacrifica para alimentar seu povo. É um tempo positivo para caminhar nas florestas, colher plantas e ervas mágicas para serem usadas no Altar. Pão de milho e cidra são tradicionais para os banquetes rituais e as folhas de outono são uma ótima decoração para o Altar.

Os Druidas honravam o salgueiro nesse Sabbath, a árvore associada à Deusa e à morte e cortavam seus bastões do salgueiro somente após Mabon (Tradição ainda respeitada em muitas tradições wiccanas e também no druidismo). As plantas, árvores, flores e ervas que estão associadas com Mabon são a aveleira, o milho, o álamo, bolotas, galhos de carvalho, folhas de outono, ramos de trigo, cones de cipreste, cones de pinheiro.  Muitas tradições também costumam encenar durante o ritual o mito da descida da Deusa Perséfone ao submundo,  representando as forças da escuridão e da luz igualadas.

Poucos sabem mais a origem do nome Mabon é o nome de um Deus celta que simboliza os princípios masculinos da fertilidade. É o nome galês do Deus da mocidade, a Divina Criança que os Druidas acreditavam estar dentro de todos nós. Ele é uma criança do Outro Mundo, nascida de pais terrestres, que desapareceu em sua terceira noite de vida. “Mabon ap Modron” significa “Filho da Grande Mãe” – sua mãe se chamava Modron e era a grande Deusa mãe dos gauleses. No Equinócio de Outono, marca-se o tempo de sua mudança. Nesse momento, Mabon desaparece com apenas três noites de nascimento. Ele vai morar novamente no mundo mágico de Modron, o seu ventre. Esse é um lugar nutridor e encantado, mas ao mesmo tempo de desafios. É um lugar de poder e renovação para que Mabon possa nascer através de sua mãe como campeão, o filho da Luz. Esse Sabbath simboliza a Luz de Mabon entrando na Terra (ventre da Deusa), recarregando-se para tornar-se uma nova semente. Seu desaparecimento é um mistério, mas Mabon é eventualmente resgatado no Solstício de Inverno, graças ao conhecimento e ajuda de alguns animais: o pássaro negro, o veado, a coruja, o bisão e o salmão.

Esse mito assim como o de Perséfone, constitui a essencia mística e espiritual do Sabbath:  o rejuvenescimento para uma colheita farta, agradecendo aos Deuses pelas dádivas concedidas durante o ano e o conhecimento da necessidade do balanceamento entre a luz e as sombras.

Esse Sabbath é simbolizado pelo espiral duplo, um vai e outro que retorna, para nos lembrar que começamos a jornada pelo ponto mais escuro do ano e que a morte sempre é seguida pelo renascimento da mesma maneira que o Inverno sempre é seguido pelo Verão. A Deusa está grávida do Deus que nascerá em Yule, a noite mais longa. Ela se prepara para dizer adeus ao Deus velho, mas sabe que a semente do Deus novo já está dentro dela, em seu ventre.

 Correspondências de Mabon.

Cores: marrom, verde, amarelo, vermelho.

Ervas: alecrim, calêndula, sálvia, noz, folhas e cascas, visco, açafrão, camomila, folhas de amêndoa, frankincenso, rosa, agridoce, girassol, trigo, folhas de carvalho, maçã seca ou sementes de maçã.

Pedras: âmbar, peridoto, diamante, ouro, citrino, topázio amarelo, olho-de-gato, aventurina.

Comidas e Bebidas Sagradas: abóboras, todos os tipos de grãos, pães, bolos, todos os tipos de raízes, batatas, nozes, sidra com canela, vinho.

Atividades benéficas que podem ser realizadas no Mabon:

  • Fazer uma cornucópia da prosperidade.
  • Fazer bonecas mágicas de maçã.
  • Andar pelos campos para agradecer a generosidade da Deusa, quem tem um herbolário pode escrever que a manhã de Mabon é um dia muito auspicioso para se colher ervas.
  • Fazer grinaldas e oferecer à Natureza como sinal de agradecimento.
  • Fazer vassouras mágicas.
  • Fazer amuletos.
  • Confeccionar uma Rainha da colheita (kernbaby).
  • Encher uma tigela com frutas e folhas e oferecer aos Deuses.
  • Colocar espigas de milho na sua porta de entrada para atrair boa sorte.

Salvas à Mabon e Feliz Outono!

Imagem: Digital Art by LadyEru.

http://ladyeru.deviantart.com/art/Pagan-Holiday-2-Mabon-547956177

Festival Romano Liberália. 

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A Liberália foi um festival da Roma Antiga, realizado no dia 15 de março do calendário da época. O festival celebrava o Deus Liber e marcava a passagem de um jovem romano para a vida adulta. O Deus era considerado a divindade da fertilidade dos campos e da fecundidade dos animais e seu símbolo é o falo. Diferente de outros festivais da época, o sacrifício oferecido na Liberália não era animal, mas sim a toga praetexta, a bulla e bolos de mel que eram feitos e oferecidos ao Deus.

Em Roma, Liber era venerado como um dos integrantes da Tríade Plebeia (Ceres, Liber e Libera) cuja composição acredita-se ter se dado por razões ideológicas, servindo como um contrapeso para a tríade patrícia capitolina. A divindade principal deste grupo foi sempre Ceres, que indiretamente contribuiu para a marginalização do culto de Liber em Roma.

Liber é uma antiga divindade itálica representada por um falo, que simbolizava a fertilidade e cuja tarefa era proteger as plantações. Era considerado uma divindade agrária, cujo nome aparece nas inscrições arcaicas de Latium. Alguns estudiosos o incluem entre os Dei Consentes (Deuses Harmoniosos), grupo dos principais Deuses e Deusas romanos.

O principal fator que levava Liber a ser assimilado com Dionísio era sua ligação com o vinho. Liber era a divindade responsável por uma etapa da produção, a fase de pressionar as uvas, cujo produto resultante ainda não era o vinho, pois outras etapas eram necessárias até o produto final. Além disso, era Jove, outra divindade romana, considerado patrono do vinho italiano, fato que reitera as divergências em relação à conexão de Liber com Dionísio. No entanto, ao final do terceiro e início do século II a.C., alguns autores latinos foram adaptando textos literários gregos para a realidades romana e eles acabaram por negar a ligação de Dionísio com Jove, uma vez que Liber era a única divindade nativa cujas competências condiziam com as do Deus grego.

O nome Liberália é derivado do nome do Deus Liber, que é considerado a versão romana de Dionísio. No entanto, as fontes não são conclusivas sobre isso. Existe a teoria de que o festival possa ter tomado este nome por conta da toga libera, vestimenta que os jovens romanos deveriam usar no dia do festival.

O festival Liberália gera bastante discussão entre os estudiosos, uma vez que alguns afirmam ser Liber o nome latino de Dionísio. O pesquisador Jean Toutain ressaltou que o festival não tem nada em comum com as festas dionisíacas, o que traz dúvidas em relação ao festival ter sido de fato dedicado ao Deus grego.

Durante a primeira fase do ritual, o efebo tinha sua genitália inspecionada, seu cabelo cortado e sua barba feita, os resquícios eram guardados em um compartimento para assim como a toga praetexta e a bulla, serem ofertados pelo jovem aos Deuses Lares de sua casa. A seguir, ele vestia a toga virilis, que o assinalava como homem e cidadão ativo. Após este ato, os adulescentis eram conduzidos publicamente por seus pais ou tutores ao forum romanum, trajando pela primeira vez a toga virilis.

Salvas a Liber!

Imagem: Peter Paul Rubens (1619)

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O Sagrado Feminino.

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O feminino foi reverenciado desde o início da humanidade. Entre as culturas neolíticas e paleolíticas quase sempre era cultuado na forma de uma Grande Mãe geradora e transformadora de toda vida. Em sociedades posteriores, suas faces foram se diversificando, sendo assimiladas e acolhidas em panteões de Deuses e Deusas. Em todo o mundo existiam divindades femininas que representavam faces de um feminino complexo, onde coexistiam forças de criação e morte, amor e guerra, sexualidade, poder, beleza, transformação, etc numa infinidade de energias ligadas ao feminino, muitas delas hoje esquecidas ou mal compreendidas.

Dentre tantas culturas onde o feminino era percebido como sagrado, poucas foram as que sobreviveram como culto “vivo” as culturas patriarcais e as perseguições religiosas. Dentre elas, encontramos as tradições Shaktas-tantrikas na Índia (culto ancestral das devis/Deusas indianas), as tradições africanas que ainda são fortes nos países de diáspora, como no Brasil e em tradições nativas ao redor do mundo. Porém, muitos cultos foram praticamente perdidos em sua oralidade, como no caso dos cultos das Deusas das tradições europeias, greco-romanas, celticas, vikings, etc e foram resgatados há apenas algumas décadas. Hoje, encontramos em todo o mundo, tradições que retomam estes conhecimentos e procuram pratica-las em novas roupagens. O movimento de Espiritualidade da Deusa se espalhou e a cada dia mais, multiplicam-se os covens ou círculos de mulheres e homens que trabalham com estas energias. Na psicologia moderna, especialmente na psicologia junguiana, estas Deusas passaram a exercer um papel importante na compreensão da psicologia dos arquétipos, possibilitando o estudo do feminino profundo que remete a nossa ancestralidade e ao universo do inconsciente coletivo.

Extensas escavações na arqueologia sobre o feminino vêm possibilitando a realização de trabalhos, artigos e estudos. Alguns autores são essenciais para a compreensão deste “sítio arqueológico”, como os trabalhos de Erich Neumann, Riane Eisler e Marija Gimbutas. Além disso, os oráculos se tornaram um valioso recurso de compreensão destes arquétipos femininos, alguns dos mais importantes são o “Oráculo da Deusa” (Amy Sophia Marashinsky) , The Goddess Tarot (Kris Waldherr) e o Tarô da tríplice Deusa (Isha Lerner) e Mãe Paz (Vicki Noble). Porém, são incontáveis as fontes de estudo e graças à internet, temos muito material disponível para leitura. No entanto, apesar de termos diante de nós diversas fontes, falar em feminino sagrado é sem dúvida, falar sobre o contato com nossa própria fonte de conhecimento e sabedoria interna, do acesso a intuição e ao caminho do coração. Portanto, os estudos podem nos guiar a uma melhor compreensão deste conhecimento, mas o seu acesso profundo, só acontecerá na medida em que nos entregarmos a esta força e a confiarmos em sua presença, dentro e ao redor de nós. Viva e expresse seu valor feminino! Sinta sua natureza e se apodere dessa herança. Que a força do seu Sagrado Feminino esteja sempre presente em sua vida.

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Imagem: Unknown Artist on google.

http://www.nasouthjersey.com/SJER/May-2016/The-Divine-Feminine/

Dia em Honra a Yemanjá.

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Na mitologia yorubá (ioruba), Yemanjá, cujo nome tem significado de mãe dos filhos-peixe, é filha de Olokun, soberano dos mares, que deu a ela, quando criança, uma poção que a ajudasse a fugir de todos os perigos.

A Orixá cresceu e se casou com Oduduá, com quem teve 10 filhos orixás (por isso seu nome significa também mãe de todos orixás). O ato de amamentar seus herdeiros fez com que seus seios ficassem enormes, e isso deixou ela com vergonha.

Cansada do casamento, Yemanjá resolveu abandonar Oduduá e ir atrás da felicidade. Nesta jornada apaixonou-se pelo rei Okerê. Porém, para ficar com ele, a Rainha do Mar exigiu uma condição: que seus seios enormes jamais fossem motivo de chacota, ele concordou imediatamente.

Os contos revelam que um dia, após Okerê beber muito, ele começou a zombar dos seios de Yemanjá. Ela ficou arrasada e fugiu. O rei tentou perseguí-la para desculpar-se, mas já era tarde. A Rainha do Mar usou a poção que ganhou de seu pai para escapar, transformando-se em um rio que encontrava o mar.

Desesperado e com medo de perder a esposa, Okerê transformou-se em uma montanha, ele queria impedir o curso do rio, antes que este chegasse ao mar. Yemanjá pediu ajuda ao filho Xangô e ele, com um raio, partiu a montanha ao meio, permitindo que a água seguisse o seu caminho. Desta forma Iemanjá encontrou o oceano e tornou-se a “Rainha do Mar”.

Yemanjá é considerada a Orixá mais popular do Brasil e também em Cuba, é a única que tem festas públicas e feriados em sua homenagem. Isso acontece porque a Rainha do Mar é a padroeira dos pescadores, decidindo o destino de todos aqueles que entram no mar.

O Brasil tem uma costa gigantesca tornando a pesca uma atividade comum nas cidades praianas, além de todo um comércio relacionado aos produtos do mar. Diante disso, os pescadores sempre lembram e pedem proteção para Yemanjá para que a pescaria seja farta e segura. Ela também é lembrada por familiares daqueles que se aventuram no mar, pedindo que a jornada seja concluída sem perigo.

02 de fevereiro é celebrado o dia de Yemanjá. A maior festa dedicada a Rainha do Mar ocorre em Salvador, capital da Bahia. Neste dia, milhares de pessoas vestem branco e fazem uma procissão até o templo de Yemanjá. Outras seguem até o mar para adorá-la e agradecer as bênçãos que ela concedeu, além de entregar presentes em agradecimento.

Tudo começou com a chegada dos africanos ao país. Yemanjá é um orixá da religião do povo Egba, nativos da cidade de Abeokuta, na Nigéria. A Rainha do Mar é conhecida como divindade das águas doces e salgadas. Porém nos dias de hoje é reverenciada no Candomblé, Umbanda, Xambá, Omolokô e Vodu haitiano. Sua influência é percebida em canções diversas, histórias, novelas e filmes.

Salvas a Yemanjá!

Imagem: Digital Art by Seaspell.

Os Três Reis Magos: astrólogos, bruxos e alquimistas.

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Embora o cristianismo renegue certa classe de homens sábios e os tenha perseguido durante séculos, a eles dedica um dos dias mais importantes de seu calendário: o “dia dos reis magos”. Na tradição ocidental é o dia 06 de janeiro, quando se costuma desfazer a decoração de Natal. Em alguns lugares do Brasil, como no Espírito Santo, na Bahia e em Minas Gerais, comemora-se a “folia de reis”, festa enraizada na colonização portuguesa.

Os reis magos Baltazar, Gaspar e Belchior (ou Melchior) são mencionados no Evangelho de Matheus, ainda que não conste seus nomes, nem que eram três e nem tão pouco que eram reis… Está escrito apenas “magos” ou “magoi” em grego. No entanto, afirma que seguiram a estrela e quando chegaram até Jesus presentearam-no com incenso, ouro e mirra. É oportuno esclarecer que, segundo alguns historiadores, o dia do nascimento de Jesus foi dia 17 de abril do ano 6 a.C., considerando-se as correções do calendário gregoriano, e não dia 25 de dezembro. Tal data, na verdade foi uma manobra da Igreja para aproximar o evento às comemorações do dia de Hélio, Deus Sol, celebrado no Solstício de Verão pelos pagãos.

Os nomes dos três Reis Magos são referências apócrifas que a Igreja não conseguiu apagar da memória e da tradição popular. Gaspar significa “aquele que vai inspecionar”; Belchior quer dizer: “Meu Rei é Luz” e Baltazar se traduz por “Deus manifesta o Rei”. Naquela época, para se saber o lugar e o dia do nascimento do Messias, tais homens tinham que conhecer o mapa do céu, eis porque seguir a singular estrela, que no caso, tratava-se de uma conjunção de Marte/Saturno/Júpiter, dando a impressão para quem olha da Terra, de ser uma grande estrela, o que prova que eram astrólogos. Além disso eram também alquimistas, porque seus presentes possuíam uma referência estritamente conhecida apenas pelos discípulos da filosofia mágica. Melchior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis. Gaspar ofereceu-lhe incenso (ou olíbano) em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes. Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, veem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade. Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta.

Uma das críticas mais severas feitas aos textos herméticos foi de que eles não eram tão antigos quanto se imaginava, haviam sido escritos entre os séculos II e IV d.C. e eram na verdade, fruto de um substrato pagão do cristianismo gnóstico que quis corroborar o nascimento de Jesus como o Messias, uma vez que em tais textos consta que “o verbo se tornaria carne”. Pois bem, os tais magos pertenciam à Escola de Hermes, o Hermes Trismegisto (um legislador egípcio, pastor e filósofo, que viveu na região de Ninus por volta de 1.330 A.C) onde se estudava a prática da filosofia oculta e da magia, associadas aos antigos escritos atribuídos a Hermes. Por isso três magos: um velho, um jovem e um adulto. Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia. Os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes, os reis e os povos de todo o mundo.

Acredita-se que suas relíquias ósseas estão guardadas na Catedral de Colônia na Alemanha, em uma magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes. As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas a Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente. Depois foram transferidas a outra capital imperial no Ocidente, Milão, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).

Somente tais sábios poderiam reconhecer na época a grandeza de outro mago a nascer: Jesus. Sim, pois dentro do que se compreende por “magia” (poder de curar, mover montanhas, águas, mudar o curso das estrelas, proliferar coisas, enfim…), podemos afirmar que um dos maiores magos de todos os tempos foi Jesus. E sua ida ao Egito, sede das grandes escolas de magia, não foi à toa. A ciência sagrada, como entendida pelos antigos sábios, era composta por quatro artes: a Magia, a Astrologia, a Cabala e a Alquimia, isto é, artes associadas ao movimento, à luz, ao verbo e ao calor.

A palavra “mago”, no evento bíblico citado, deriva do persa Mobed, Megh e ainda Meh-ab, que queria dizer homem de grande de força, e Magusk, homem sábio. Os discípulos de Zoroastro, por exemplo, eram chamados de Megh-estom. E tanto Moisés, como Daniel foram magos que praticaram a magia caldaica e egípcia. Nesse caso, a palavra mago em caldeu deriva de magh ou mah-hindu, que significa um homem versado em ciência secreta e esotérica. Por todos estes significados fica impossível precisar a origem da palavra magia, tanto quanto indicar o dia em que nasceu o primeiro homem, pois a magia é tão antiga quanto o homem, como afirma Helena Blavatsky. No entanto, alguns autores modernos esforçam-se para provar que Zoroastro foi o fundador da magia, unicamente porque foi o fundador da religião dos magos. Mas a prática da magia pode ser observada em outras culturas, as quais nunca tiveram contato entre si. Cada uma das religiões, onde a magia é praticada de alguma forma, baseia-se nos estudos dos conhecimentos ocultos da natureza e maneiras de manipulá-la, juntando-se à ela o conhecimento da alquimia e da astrologia.

A palavra magnetismo, por sua vez vem de Magnésia, cidade antiga da Tessália, onde se encontravam muitas pedras imantadas. E não foi difícil estabelecer-se uma associação entre a ideia de magia e magnetismo, visto que ambas pressupõem um poder simpático e de atração. Já o parônimo de mago, “mágico” assumiu um significado muito diferente do que teve no passado. Hoje é associado ao embusteiro e charlatão. Mas em sua origem era sinônimo de honrado e respeitável, possuidor do conhecimento e da sabedoria.

Contudo, o mais importante na data de hoje, embora a documentação do processo histórico esteja repleta de lacunas, é a compreensão de que esses três magos, através de seu conhecimento astrológico, foram capazes de encontrar e abençoar aquele que seria o Messias e transformaria a história da humanidade para sempre.

Salvas aos Magos Baltazar, Gaspar e Belchior!

Imagem: Unknown Artist – Google Images.

https://graficamouraramos.blogspot.com.br/2013/12/o-presepio-de-natal-e-os-reis-magos.html

O significado espiritual das cores.

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Qual a melhor cor para atrair o que necessitamos e o que significam espiritualmente?

As cores possuem vários significados e estão relacionadas analogicamente com aspectos naturais, culturais e espirituais da vida humana, dentre eles os nossos chakras, os elementos da natureza, a neuropsicologia, a cromoterapia e as manifestações religiosas.

A cor é assimilada pelo ser humano através do sentido da visão. A visão é dos cinco sentidos o que mais rapidamente conduz a informação até ao cérebro. Dessa forma os olhos são os sensores e o cérebro é o processador.

Quando escolhemos uma cor para elaborarmos nossos trabalhos ou vestirmos, devemos ter em mente que estamos lidando com um elemento de estímulo imediato, e que essa cor escolhida provocará diversas reações em nossos observadores, positivas ou negativas.

Estas reações emanam uma energia que vibra influenciando tudo. Como nosso corpo físico é matéria, ou seja, energia condensada, cada ser vivo vibra um campo magnético que o protege e o diferencia dos demais seres.

Este campo é mais conhecido como aura, onde existem aberturas por onde fazemos as trocas energéticas com o ambiente, com outras pessoas, com outros seres, com a natureza. A essas aberturas chamamos de chakras.

Nossos corpos têm sete receptores de energia da força vital e prana chamados chakras. Cada um vibra e reage em uma cor diferente.

Chakra

Cor Localização

Função

Muladhara Vermelho Base da coluna Aterramento,

Suporte.

Swadhisthana Laranja Órgãos sexuais Vitalidade, Sexualidade.
Manipura Amarelo Estômago Identidade,

Emoções.

Anahata Verde Coração Expressão,

Equilíbrio.

Vishuddha Azul Laringe Comunicação,

Conexão.

Ajna Índigo Glândula pineal Intuição,

Percepção.

Sahashara Violeta Topo da cabeça Consciência,

Espiritualidade.

Além dos chakras e sua relação com a espiritualidade, muitas culturas pagãs e indígenas honram os aspectos da vida terrena também. Onde cada direção, norte, sul, leste e oeste tem um elemento correspondente e sua cor.

Direção

Elemento

Cor

Norte Terra Verde
Leste Ar Amarelo
Sul Fogo Vermelho
Oeste Água Azul

As cores influenciam também o estado psicológico dos seres humanos e são mais ligadas à emoção. Por esta razão, as pessoas se lembram mais facilmente das cores do que das formas. Segundo a neuropsicologia cada cor provoca sensações específicas nos seres humanos.

Cor

Função

Branco purificador, perfeição, pureza, neutralidade, humildade, limpeza, claridade, frieza e esterilidade, pureza, inocência, reverência, paz, simplicidade, esterilidade, rendição, união.
Preto luto, elegância, solidez, poder, modernidade, sofisticação, formalidade, morte, medo, anonimato, raiva, mistério, azar.
Cinza elegância, humildade, respeito, reverência, sutileza.
Amarelo concentração, disciplina, comunicação, ativa o intelecto, positividade, boa sorte.
Vermelho paixão, entusiasmo, impacto, agressividade, força, energia, amor, liderança, masculinidade, perigo, fogo, raiva, revolução, “pare”.
Rosa Amor, carinho, suavidade, acolhimento, romantismo.
Azul harmonia, confidência, conservadorismo, austeridade, monotonia, dependência, tecnologia, liberdade, saúde, purificação, amabilidade, paciência, serenidade.
Ciano tranquilidade, paz, sossego, limpeza, frescor.
Verde esperança, cura, natureza, paz, natureza, primavera, fertilidade, juventude, desenvolvimento, riqueza, dinheiro, boa sorte, ciúmes, ganância.
Lilás influencia emoções e humores, intuição e espiritualidade.
Roxo velocidade, concentração, otimismo, alegria, felicidade, idealismo, riqueza (ouro), fraqueza, dinheiro, realeza, nobreza.
Magenta luxúria, sofisticação, sensualidade, feminilidade, desejo.
Violeta espiritualidade, criatividade, realeza, sabedoria, resplandecência, dor.
Laranja equilíbrio, generosidade, entusiasmo, alegria, aconchegante, energia, criatividade, equilíbrio, entusiasmo, ludismo.
Castanho sólido, seguro, calmo, natureza, rústico, estabilidade, estagnação, peso, aspereza.

Estas sensações são provocadas pela exposição do ser humano à vibração de cada cor e é a partir deste estudo, por exemplo, que o conforto ambiental é planejado por arquitetos e decoradores.

Contudo, também há significados específicos nas tradições religiosas para cada cor. Não esqueçamos que as cores desempenham um papel fundamental na cromoterapia e são a chave principal dos tratamentos de cura para diversos desequilíbrios emocionais e físicos.

Cor

Atração

Marrom conforto, segurança, casa, centralização, hesitação, neutralidade, incerteza, invocando o elemento terra para o benefício.
Índigo Relaxamento profundo, sono repousante, justiça e nobreza.
Ouro Riqueza, generosidade, prosperidade, magia do sol.
Prata Intuição, sonhos, cancelamento, neutralidade, impasse.
Azul petróleo impulsividade, depressão, mudança, confusão.
Oliva Doença, covardia, raiva, ciúme, discórdia.
Índigo Orgulho ferido, ossos quebrados, proteção angelical, honra, dignidade, nobreza.
Roxo Governantes, poder, nobreza, aristocracia, religião, ambição, progresso, negócio.
Vermelho Saúde, força, energia física, amor sexual, paixão, coragem, proteção, vitalidade, criatividade.
Coral Afeto profundo de natureza não-sexual.
Rosa Amor, romance, honra, moralidade, amizade, compaixão, relaxamento, carinho.
Laranja Atração geral, energia, assertividade, resistência, encorajamento, adaptabilidade, motivação.
Amarelo Intelecto, confiança, adivinhação, charme, comunicação, eloquência, viagens, movimento, felicidade, sucesso, autoestima, atração, persuasão, cura.
Azul Proteção, consciência, praticidade.
Verde Prosperidade, emprego, fertilidade, cura, crescimento, nutrição, finanças, sorte, agricultura.
Menta Ganhos financeiros, renovação, renascimento.
Celeste Cura, paz, psiquismo, paciência, felicidade, paz interior, amizade, tranquilidade, compreensão.

O que vem à cabeça quando você pensa na cor vermelha por exemplo? Concentre-se nessa cor, dê asas à sua imaginação! Pense numa flor bem vermelha ou numa luz vermelha que entra na sua cabeça e se espalha por todo o corpo. Agora pense na cor azul. Imagine uma imensidão de azul bem clarinho como o céu. Sinta esse azul fazer parte do seu corpo. Aposto que a primeira cor trouxe sensações e lembranças muito diferentes da segunda. O vermelho é uma cor mais intensa, nos lembra de que o sangue está correndo nas veias. Enquanto o azul claro traz uma sensação mais leve, de calma e até mesmo de frio. Isso acontece porque cada cor, com suas diferentes características, traz uma resposta emocional diferente. Assim como já dizia o psicanalista Carl Jung (1875-1961), “as cores são a língua nativa do subconsciente”.

Mas o que muita gente não sabe é que o poder das cores vai muito além das sensações que elas trazem, podendo influenciar diretamente no funcionamento do nosso organismo. Tem cor que dá apetite e cor que tira o apetite. Cor que estimula o batimento cardíaco enquanto outras diminuem o batimento cardíaco. Algumas cores são benéficas à digestão, outras podem auxiliar no processo regenerativo do corpo.

Portanto, inspire-se nessa coletânea de cores e seus significados. Escolha qual será mais pertinente com seu momento de vida e desejos para o próximo ano. Esteja ciente que a intensão é fundamental para potencializar sua eficácia e claro, a fé de que essa vibração auxiliará na transformação desejada.

Um harmonioso e abençoado réveillon para todos!

Beijokas Iluminadas ❤ xxx

Imagem: Image google – unknown artist.

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