A origem do Natal.

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Nos tempos atuais a referência da tradição cristã sobre a celebração natalina é muito disseminada. No entanto, poucas pessoas sabem reconhecer a importância dos símbolos que são cultuados nesta celebração e principalmente não sabem a origem de toda essa cultura.

É impossível discutir a tradição do Natal sem mencionar o contexto histórico que está inserido nesta cerimônia. A história da civilização humana é marcada pela manifestação religiosa em várias vertentes ideológicas, desde as civilizações antigas como a egípcia (mais de 3.000 anos a.c.) até os efervescentes novos movimentos religiosos como a ciberreligiosidade. Façamos portanto, uma viagem ao tempo dos nossos antepassados, devotos do que chamamos de paganismo (do latim Paganus, que significa camponês, rústico) um termo geral e normalmente utilizado para se referir a tradições religiosas politeístas.

Neste período a humanidade comungava a conexão com a natureza, coexistindo em harmonia com os fenômenos naturais e suas mudanças geoclimáticas. No comportamento humano, a fé já demostrava sua importância para o enfrentamento dos momentos de vulnerabilidade nos desafios cotidianos. Além disso, devido as características de nosso planeta, sempre estivemos presos ao movimento solar que influencia contrariamente o hemisfério norte e sul. Por esta razão, enquanto nossos antepassados do norte celebravam o “Festival de Yule” (solstício de inverno) em meados de 21 de dezembro, nossos ancestrais do hemisfério sul celebravam o “Festival Litha” (solstício de verão).

O Festival de Yule celebra o inverno na Roda do Ano no qual o Deus Sol pai (agora velho) é substituído pelo seu filho, a Criança prometida, o novo Deus Sol que acaba de nascer do ventre da Grande Deusa. Para outros, Yule marca a vitória do Deus da Luz (Rei do Carvalho) sobre o Rei das Sombras (Rei do Azevinho), pois a partir desse momento os dias se tornarão visivelmente mais longos com o passar do tempo, mesmo com frio. Este Sabbat representa o retorno da luz. Aqui, na noite mais escura e fria do ano a “Criança do Sol” e as esperanças renascem, pois ela trará calor e fertilidade à Terra.

A Árvore de Natal, decorada com bolas e uma estrela no topo na atualidade é semelhante ao antigo pinheiro verde (árvore da Deusa) que os pagãos colocavam dentro de casa para que os espíritos da Natureza tivessem um lugar confortável para permanecer durante o Inverno frio. A árvore era decorada com velas, sinos, comidas e símbolos fálicos (relacionados ao Deus) encimada por um Pentagrama, o símbolo da Bruxaria. Os espíritos da Natureza eram presenteados (presentes de Natal) e as pessoas pediam aos elementais que as mantivessem tão vivas e fortes durante o Inverno como a árvore que recebia lindos enfeites. As guirlandas, o azevinho e até a Tora de Yule (Yule Log) queimando no fogo, são todos costumes pagãos. Bonecas de milho eram carregadas de casa em casa com canções típicas de Yule. Os primeiros pagãos acreditavam que esse ato traria as bênçãos da Deusa às casas que fossem visitadas pelas bonecas (Corn Dollies).

Era um tempo ideal para colher o visco, considerado muito mágico para os Antigos Druidas, que o chamavam de “Ramos Dourados”. Os Druidas acreditavam que o visco possuía grandes poderes de cura e possibilitava ao homem mortal acessar o “Outro Mundo”. O visco é um dos símbolos fálicos do Deus e possui esse significado baseado na ideia de que as bagas brancas representam o “Divino sêmen do Deus”, em contraste às bagas vermelhas do azevinho, semelhantes ao “sangue menstrual da Deusa”. O visco representa a simbólica substância divina e o senso de renovação que todos precisam possuir nos tempos de Yule.

As cores tradicionais do Natal, verde e vermelho, também são de origem pagã, já que esse é um Sabbat que celebra o fogo (vermelho) e usa uma Tora de Yule (verde). Um pedaço de tronco que havia sido preservado durante todo o decorrer do ano era queimado, enquanto um outro novo era enfeitado e guardado para proteger a casa durante o ano que viria. Os troncos geralmente eram decorados com símbolos que representassem o que as pessoas queiram atrair para suas vidas.

A tradição da Tora de Yule se perseverou até os dias atuais entre os Wiccanos, que fazem três buracos ao comprimento de um pequeno tronco e colocam três velas em cada buraco, uma branca, uma vermelha e uma preta para simbolizar a Deusa Tríplice. A Tora de Yule também é decorada com azevinho sempre verde para simbolizar a união da Deusa e do Deus.

Para os antigos Celtas, celebrar o Solstício de Inverno era o mesmo que reafirmar a continuação da vida, pois Yule é o tempo de celebrar o espírito da Terra, pedindo coragem para enfrentar os obstáculos e dificuldades que atravessaremos até a chegada da Primavera. É o momento de contar histórias, cantar e dançar com a família, celebrando a vida e a união.

O tema principal desse Sabbat é a Luz em todas as suas manifestações, seja o fogo da lareira, seja de uma fogueira, de velas, etc. A Luz nesse Yule torna-se um elemento mágico capaz de ajudar o Sol a retornar para a Terra, para nossa vida, corações e mentes.

Que a Luz do novo Deus esteja conosco!

Feliz Natal.

Imagem: Google images – unknown artist.

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Litha – Solstício de Verão.

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Litha é o Festival celta que celebra o apogeu do Sol realizado no hemisfério Sul em 21 de dezembro e no hemisfério norte em 21 de junho. Em galês este festival é conhecido como Alban Hefin ou a Luz do Verão, marcando o êxtase máximo da união sagrada, onde o poder da criação está mais ativo e o Sol está mais próximo e forte, deixando a natureza em plena de luz e magia. Esta é a fase em que os dias começam a ser mais longos no ano, pois o grande astro reina por mais horas no céu, iluminando a face da terra, germinando e energizando toda a biodiversidade do planeta. Este é o momento em que as tradições pagãs homenageiam o Sol, dançando com tochas e pulando fogueiras feitas com gravetos de Abeto e Carvalho, duas árvores consideradas mágicas desde nossos ancestrais pré-celtas, ritualisticamente reivindicando a purificação, a fertilidade, a saúde e o amor.

Após a união da Deusa e do Deus no Festival Beltane (primavera), o Deus está finalmente adulto e em sua plenitude, ele traz o calor do verão e a promessa total de fertilização com o sucesso da gravidez da Deusa. Nesta época o carvalho era especialmente honrado através do corte sacrificial do visco sagrado pelos antigos Druidas. Muitos círculos de pedras megalítos pré-célticos estão alinhados com o nascer do sol exatamente no momento do alinhamento astrológico solar, como por exemplo Stonehenge.

Há uma infinidade de tradições e ritos que envolvem a noite do Solstício de Verão, quando criaturas mágicas andam correndo pelos campos e florestas, podendo facilmente ser vistos e contatados. Um dos costumes mais populares na Europa e Norte da África é a colheita de ervas medicinais e mágicas nesse dia. Acredita-se que a plenitude da força do Deus está impregnada nessas ervas e contém todo o poder sanador e mágico para a cura de doenças. O Visco e o Basílico, como outras muitas ervas, são colhidos ritualisticamente e usados para preservar a energia nos tempos frios em encantamentos e sortilégios. Banhos purificadores e curas milagrosas são realizados nas noites mágicas em fontes, rios e cachoeiras. Acredita-se também que tudo aquilo que for sonhado, desejado ou pedido na noite de Litha, se tornará realidade.

 Os antigos Povos da Europa acreditavam que as brasas das fogueiras carbonizadas de Litha, possuíam poderes protetores e eram utilizadas como amuletos contra lesões e tempo ruim na época da colheita, sendo comumente colocadas em volta dos campos de trigo e pomares para proteger as colheitas e garantir abundância. Outro costume do Litha consistia em levar uma brasa da fogueira de Litha para casa e colocá-la em uma espécie de ninho feito com Bétula, Funcho, Erva de S. João, Erva-pinheira e Lírios brancos para a benção e proteção do lar.

Correspondências de Litha:

  • Cores: laranja, amarelo, verde, azul e branco;
  • Deuses: todos os Deuses solares e Deusas da fertilidade;
  • Ervas: sálvia, menta, alecrim, tomilho, samambaia, verbena,anis estrelado;
  • Pedras: rubi, conchas do mar, quartzo branco, citrino, cornalina e turmalina amarela.

Atividades:

  • Pular uma fogueira, um caldeirão com chamas ou vela;
  • Pintar runas e outros símbolos mágicos para proteção;
  • Colher ou comprar ervas e pedras;
  • Fazer uma varinha;
  • Fazer uma coleira de bruxa;
  • Acender velas e oferendas ao povo das fadas;
  • Pendurar ervas na lareira, sala e cozinha para secarem.

Comidas e Bebidas:

  • Frutas;
  • Vegetais frescos;
  • Patê de ervas;
  • Pães de cereais;
  • Vinho;
  • Cerveja;
  • Água.

Salvas ao Grande Deus Sol!

Imagem: Artwork by Boris Vallejo.

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Festival em Honra de Saturno.

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A Saturnália era um festival romano em honra ao Deus Saturno que ocorria no mês de dezembro no solstício de inverno. Era celebrada no dia 17 de dezembro, mas ao longo dos tempos foi estendida à semana completa, terminando a 25 de dezembro. As Saturnálias tinham início com grandes banquetes e sacrifícios; os participantes tinham o hábito de saudar-se com “io Saturnalia”, acompanhado por doações simbólicas. Durante estas festividades subvertia-se a ordem social: os escravos se comportavam temporariamente como homens livres; elegia-se à sorte, um “princeps”, uma espécie de caricatura da classe nobre a quem se entregava todo o poder. Na verdade a conotação religiosa da festa prevalecia sobre aquela social e de “classe”. O “princeps” vinha geralmente vestido com uma máscara engraçada e com cores chamativas, dentre as quais prevalecia o vermelho, a cor dos Deuses.

O festival se iniciava no dia 17 de dezembro e durava sete dias, no tempo de Cícero. Augusto teria limitado sua duração a três dias, para que a justiça e política não ficassem paradas por muito tempo. Já Calígula determinou uma comemoração de cinco dias. Mas Macróbio escreveu que, mesmo assim, as festividades permaneceriam acontecendo no período de uma semana. Este mesmo autor afirma que antes a celebração ocorria inicialmente apenas no dia 19 de dezembro, mas com a reforma do calendário juliano (durante o governo de Júlio César), que acrescentou dois dias ao calendário, passou para o dia 17. Isso levou ao aumento de dias de comemoração, já que a data exata não ficou conhecida por toda a população.

A Saturnália reunia as comemorações pelo fim do ano agrário e religioso, somados também ao fim de um ano “velho” e início de outro novo, enchendo os romanos de esperanças e expectativas quanto as próximas colheitas e o ano que começava. Além disso, rememoravam os tempos da “Idade de Ouro” em que havia abundância e igualdade. Era uma festividade bastante comemorada, sendo uma das mais populares em Roma. Afinal, a agricultura era a atividade que estava na base dessa sociedade como meio de subsistência para os camponeses e fonte de renda para a elite.

Essa comemoração é considerada um festival civil e social, de acordo com a divisão que segue o caráter dos ritos. Durante sua comemoração faziam-se sacrifícios a Saturno e a estátua do seu templo recebia fios de lã retirados dos seus pés para representar sua libertação. Depois dos sacrifícios, tinha início o banquete público, que parece ter se iniciado em 217 a. C. Banquetes em que a imagem do Deus Saturno era colocada junto à mesa para dar-se início as festas e divertimentos.

Os assuntos mais sérios deveriam ser tratados na parte da manhã e à noite, pois durante o banquete, enquanto bebiam, deveriam falar dos assuntos mais leves e levianos. Esses dias deveriam ser de alegria. Faziam-se piadas e jogos de azar eram realizados pelas ruas, os quais eram proibidos no restante do ano.

Um costume comum na Saturnália era visitar os amigos e trocar presentes. Os presentes eram as Sigillaria, pequenas figuras de terracota, prata ou velas de cera, representando a luz na escuridão.

Era tradicional a inversão da ordem social durante a comemoração em honra a Saturno. Todos os homens, escravos ou cidadãos, ficavam em igualdade. As barreiras jurídicas eram ficticiamente abolidas. Os escravos portanto, não precisavam trabalhar, podiam se vestir como seus senhores, participar das refeições e jogar dados. Os tribunais eram fechados e com a consequente ausência de leis, não estariam transgredindo a ordem de fato.

A Saturnália foi comemorada até a Era Cristã, mas com o nome de Brumália (ocorria no início do inverno e era uma das festas em honra a Baco). Em meados do século IV d.C., teria sido absorvida pela comemoração do Natal, havendo uma continuidade na prática da troca de presentes oriundas do festival. Alguns autores também defendem a hipótese sobre haver uma relação entre a Saturnália e as comemorações do carnaval, devido ao caráter de inversão da ordem social ocorrido nos dias das festividades.

Saturno é um Deus itálico e seu culto foi importado da Grécia para Roma, como ocorreu com diversos outros Deuses. Ele teria sido expulso do monte Olimpo por Zeus e se instalado no Capitólio, onde fundou um povo chamado Saturnia. Acredita-se também que foi acolhido por Jano, igualmente oriundo da Grécia. Seu reinado na região do Lácio ficou conhecido como a “Idade do Ouro”, pela paz e prosperidade alcançadas. Segundo os relatos lendários, nesse período Saturno teria continuado a obra civilizadora de Jano e ensinou à população a prática da agricultura.

Salvas a Saturno!

Imagem: Virgil Solis (1514-1562)

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Dia de Santa Luzia.

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Santa Lúcia de Siracusa mais conhecida simplesmente por Santa Luzia (Santa de Luz), segundo a tradição da Igreja Católica, foi uma jovem siciliana nascida numa família rica de Siracusa, venerada pelos católicos como virgem e mártir cristã, que segundo conta-se, morreu por volta de 304 durante as perseguições do Imperador Diocleciano. É a padroeira dos oftalmologistas e daqueles que têm problemas de visão.

Na antiguidade cristã, juntamente com Santa Cecília, Santa Águeda e Santa Inês, a veneração a Santa Lúcia foi das mais populares e tinha ofício próprio. Chegou a ter vinte templos em Roma dedicados ao seu culto.

O episódio da cegueira ao qual a iconografia a representa, deve estar ligado ao seu nome Luzia (Lúcia) derivado de lux (luz), elemento indissolúvel unido não só ao sentido da vista, mas também à faculdade espiritual de captar a realidade sobrenatural. Por este motivo Dante Alighieri na Divina Comédia, atribui-lhe a função de graça iluminadora.

Sua própria festa é celebrada simbolicamente em 13 de dezembro, possivelmente doze dias antes do Natal para indicar ao cristão a necessidade de preparação espiritual e sua iluminação correspondente para essa importante data que se aproxima.

Luzia nasceu na cidade italiana de Siracusa e era de uma família rica e cristã. Era considerada como uma das jovens mais belas de sua cidade. Seu pai morrera quando ela tinha 5 anos e sua mãe Eutíquia, sofria de graves hemorragias internas. Luzia tinha uma grande convicção cristã  que a fez consagrar-se, secretamente, ao Senhor Jesus e oferecer sua virgindade perpetuamente. Um dia ela e sua mãe foram peregrinar à cidade de Catânia onde se encontrava o corpo da grande Santa Águeda, que morrera por não se converter aos Deuses.

O Evangelho pregado na Santa Missa desse dia foi o da mulher que sofria com hemorragias internas, iguais às da mãe de Luzia. Luzia então pensou: “Se aquela mulher ao tocar nas vestes do Senhor ficou curada, será que Santa Águeda não pedirá ao Senhor que cure minha mãe da mesma forma que curou aquela mulher?” Ela então disse a sua mãe que esperassem todos saíssem da Igreja para elas irem rezar junto ao corpo da Santa. Durante esse meio tempo Luzia dormiu e em êxtase sonhou que anjos rodeavam Santa Águeda e que a mesma disse-lhe: “Luzia minha irmã, porque pedes a mim uma coisa que tu mesma podes conceder?” Luzia rapidamente saiu do êxtase e despertou do sonho. Foi procurar sua mãe e disse-lhe que tinha sido curada. Luzia aproveitou esse momento para revelar à mãe que tinha feito um voto de virgindade a Jesus e que iria distribuir todos os seus bens aos pobres. Sua mãe disse: “Luzia minha filha, tudo o que é meu e de seu falecido pai é teu, por isso faça o que queres.” Ao chegar em casa elas começaram a distribuir todos os seus bens aos pobres. Um jovem muito rico e pagão, politeísta de nascença, que já era apaixonado por Luzia, foi perguntar à mãe da mesma o motivo de tanto esbanjamento de dinheiro e em resposta Eutíquia disse: “Luzia é muito providente, ela achou bens muito mais valiosos do que esses e por isso é que estamos fazendo isso.” O jovem não entendeu que ela falava dos “bens” da espiritualidade, por isso entendeu como quis e voltou para casa. Os dias se passavam e Luzia e sua mãe davam mais e mais dinheiro aos necessitados assim delapidando a grande fortuna da família e por isso, o jovem logo teve a certeza que Luzia era cristã.

Ele denunciou-a ao prefeito de Siracusa, Pascasio que furioso com a grande fé cristã de Luzia, mandou-a ao Imperador Diocleciano , que tentou persuadi-la a se converter aos ídolos. Luzia se mostrou cheia do Espírito Santo em frente ao imperador Diocleciano. Ele vendo que nada a convertia fez inúmeras coisas cruéis com ela.

Diocleciano vendo que nada a convertia, mandou jogá-la em uma casa de prostituição, cheia de homens sedentos de um corpo virginal como o de Luzia, mas foi em vão: ninguém conseguia mover Luzia. Nem mesmo uma junta de bois conseguiu. Os soldados saíram envergonhados por não conseguir movê-la. Seus pés eram como se estivessem fincados no chão como raízes de uma árvore. Como isso não dera certo, tentaram depois colocar fogo em seu corpo, mas Luzia fez uma oração e as chamas nada fizeram contra ela, nem mesmo vermelhidão no seu corpo deixaram e por isso retiraram ela de dentro do fogo. Como tudo isso não havia dado certo, foi lhe aplicado o castigo mais cruel depois da degolação. Luzia não se convertia de jeito nenhum aos Deuses e por isso um soldado, a mando do imperador, arrancou os olhos de sua face e entregou-os em um prato à Luzia, mas milagrosamente ao entregar o prato com os olhos de Luzia, no rosto da mesma, nasceram-lhe dois lindos olhos novos, mais perfeitos e mais lindos do que os outros. Vendo que nada a convencia de converter-se ao paganismo, deceparam sua cabeça no momento que Luzia dizia: “Adoro a um só Deus verdadeiro e a ele prometi amor e fidelidade”, no mesmo instante sua cabeça rolou pelo o chão. Era 13 de Dezembro do ano de 304 D.C.

Os cristãos recolheram seu corpo e a sepultaram nas catacumbas de Roma. Sua fama de Santa se espalhou por toda a Itália e Europa e depois para todo mundo, onde hoje é venerada e honrada como a “Santa da Visão”.

Salve Santa Luzia!

Imagem: Google Images – Unknown artist.

Festival da Deusa Egípcia Neith.

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Neith era a padroeira do baixo Egito e da cidade de Sais, onde seus devotos também a identificavam como a Deusa grega Athena, devido a suas atribuições similares.

Ela é uma das mais antigas divindades do panteão Egípcio e no período pré-dinástico era representada com o escudo e um par de flechas cruzadas, onde era considerada Deusa da caça e da guerra, conhecida pelo epíteto “Amante do arco, Governante das flechas”.

Após esse período, no baixo Egito era geralmente representada com uma coroa vermelha e agulhas de tecelagem sobre ela, enquanto no alto Egito possuía uma cabeça de vaca ou era transformada totalmente em uma vaca. A vaca é um animal sagrado a muitas culturas, simbolizando maternidade, fertilidade e renovação. No entanto, não se sabe quando as flechas foram substituídas pelas agulhas. Isso pode ter sido uma má interpretação da Deusa ou uma reinterpretação da mesma, para transformá-la em uma Deusa tecelã.

Normalmente ela carrega um Was (cetro que simboliza poder e governança) na mão direita e uma Ankh (símbolo da vida eterna) na esquerda. Algumas vezes é representada amamentando um crocodilo, refletindo um mito provincial de que ela é mãe ou consorte do Deus crocodilo, Sobek. Esse mesmo mito diz que Neith foi a criadora do mundo e mãe do Deus sol Ra, fazendo dela mãe de todos os Deuses e inclusive, mãe de Apep a grande serpente inimiga de Ra, que surgiu quando a Deusa cuspiu nas águas provinciais do caos.

Outra lenda de criação diz que ela teceu o mundo em seu tear e também a associa com ritos funerários pois ela é a responsável por criar as bandagens que envelopavam as múmias.

Neith é uma divindade tão poderosa e popular que os outros Deuses geralmente a procuravam quando não conseguiam resolver uma disputa. Um dos casos mais conhecidos é a disputa de Horus e Seth pelo trono do Egito. Quando eles viram que não conseguiam se acertar, enviaram uma carta à Deusa procurando conselho. Horus foi feito rei e Seth ganhou terras e duas esposas (Anat e Astarte) como consolação.

Neith é a maior Deusa criacionista egípcia pois não necessita de um par para gerar vida. Ela faz com que tudo surja das águas do caos somente com sua vontade. Devido a esse traço alguns estudiosos a consideram uma divindade andrógena. Além de criar vida, também protegia os mortos e os vasos canópicos junto com Ísis, Néftis e Sekmet.

Salvas a Neith!

Imagem: Google images – unknown artist.

Dia em honra de Deusa Anphitrite.

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Anphitrite na mitologia grega é esposa de Poseidon e Deusa dos mares, era mãe de Tritão. Na mitologia romana é conhecida como Salácia e seu consorte Neptuno. Ela se confunde também com Deusas de outras mitologias como Yemanja e Irís.

A princípio, Anphitrite se recusou a casar com o Deus Poseidon, se escondendo nas profundezas dos oceanos em um lugar conhecido apenas por sua mãe. Porém acabou cedendo às investidas de Poseidon e se tornando rainha dos oceanos. Por esta razão é representada com um tridente, símbolo de sua soberania sobre os mares.

De acordo as visões de sacerdotes, Anphitrite aparentava ter cabelos castanhos longos e lisos, pele morena clara e olhos escuros, tendo um belo corpo e aparentando 25 anos.

A história de sua soberania se inicia quando Zeus, irmão de Poseidon, procurou por Nereu a fim de que ele conseguisse uma boa esposa para o irmão, que estava causando terremotos e furacões toda vez que ficava bravo. Então Nereu, que estava casado com a Ninfa Dóris, decide oferecer sua filha Nereida para Poseidon.

Entretanto, quando Poseidon foi atrás de Nereida, ela o desprezou por ele ser rude demais e se escondeu por pouco mais de um ano, até que Zeus, desesperado por ver o irmão tão desolado, foi à procura da mãe de Nereida, que era a única pessoa que sabia onde estava a filha.

Finalmente, Poseidon foi atrás de Nereida, que se escondia numa caverna oculta por uma floresta de líquens. Diferente e mais atencioso, conquistou Nereida e levou-a para ser Anphitrite, rainha dos mares e mãe de seus filhos. No entanto, com o passar do tempo, Anphitrite passou a enfrentar outro ponto comportamental desagradável do grande Poseidon, as extensas traições de seu marido.

Salvas a Anphitrite!

Imagem: Digital Art by David Gaillet.

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Festival em honra da Deusa Atena.

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As Panateneias ou Panatenaias eram festas realizadas em homenagem à Deusa grega Atena patrona da sabedoria, estratégia e das artes. Os romanos a chamavam de Minerva e foi concebida da união de Zeus com a Deusa Métis. Considerada uma Deusa virgem, pedia que os Deuses não se apaixonassem por ela, pois ela ficaria grávida e teria que largar sua vida de guerras e passar a viver em uma vida doméstica. Ela era realmente apaixonada pelo que fazia e nem liga para as coisas que poderiam ocupá-la ao invés de guerrear. Há quem diga que Atena se envolvia com os heróis que acompanhava e até mesmo com Ares, seu grande rival. Sendo tais boatos falsos ou verdadeiros, sabe-se que ela jamais teve romances com mulheres e nem filhos com outros Deuses.

As primeiras Panateneias eram anuais e as segundas, mais importantes, eram promovidas a cada quatro anos. Acredita-se que essas festas tinham como objetivo agradar à sábia Deusa, para que ela protegesse as colheitas. Durante a cerimônia de abertura das grandes Panateneias, passava por Atenas um navio ornado pelo véu de Minerva, um rico manto bordado pelas mais hábeis fiandeiras, tecelãs e jovens das mais tradicionais famílias atenienses. As mulheres carregavam cestos com utensílios para os sacrifícios, os rapazes vasos com óleo e vinho e os velhos ramos de oliveira.

Na celebração das Panateneias, cada tribo da Ática homenageava a Deusa Atena e imolava um boi, cuja carne era em seguida distribuída ao povo. Além dos grandes sacrifícios e ritos religiosos, nas Grandes Panatenéias eram promovidos concursos de beleza para escolher o rapaz mais forte e belo, eventos artísticos, hípicos, atléticos, náuticos e de ataque e defesa. No torneio hípico era disputada uma prova deveras perigosa, onde o carro transportava dois aurigas ou cocheiros; enquanto um deles conduzia o veículo, o outro saltava para fora e para dentro com os cavalos a todo galope. Esse evento está registrado em uma escultura que ornamenta um dos frisos internos do Partenon.

Aos vencedores eram outorgados prêmios de 300 e 200 dracmas (unidade monetária) respectivamente para o primeiro e o segundo colocados. Os vitoriosos nas lutas e eventos atléticos recebiam diversos vasos de cerâmica contendo azeite feito com os frutos da oliveira sagrada, considerada propriedade de Atena. O programa de atletismo incluía uma prova de revezamento chamada “lampadodromia” ou “corrida das tochas”. Cada equipe era formada por quarenta atletas, dispostos a vinte e cinco metros uns dos outros. Cobriam a distância que ia da muralha da cidade ao altar de Prometeu, o titã que roubou o fogo para o entregar aos humanos. A tocha passava de mão em mão, a chama não podia se apagar e vencia a equipe que conseguisse acender a fogueira colocada no marco de chegada.

Quando Teseu conseguiu a unidade política da Ática, criou uma festa nacional que se realizava em Atenas em honra da Deusa protetora da cidade chamada festa de Atenésia ou de Atena. Os jogos Panatenaicos como festa nacional e religiosa eram os mais belos jogos, competições e representações no teatro Odeon, onde efetuava-se concursos musicais de canto, lira, cítara, harpa, flauta e danças além de declamações das obras dos poetas nacionais, principalmente de Homero.

No estádio realizavam-se concursos atléticos de “Beleza Viril”, no hipódromo corridas de carros e de cavalos, no Pireu corridas de regatas e a corrida impressionante do Archote ou de Lampadefória, feita pelos efebos a pé ou a cavalo entre duas equipes e também, o jogo denominado Efedrismo ou Enkotyle. No final, como encerramento, desfilava a cavalaria ateniense, armada e equipada. Nessa festa participavam todos os povos da Grécia, apesar de ser um jogo local.

Durante o seu governo, Pissistrato deu à festa de Atenésia um caráter pan-helênico. Juntou o prefixo Panthos (tudo por Atenas), passando desde então a chamar-se “Panateneias”. Em 566 a. c. criou os jogos Panatenaicos, cuja história acha-se gravada nos frisos do Partenon.

Em contrapartida, a Grande Panateneia era celebrada de quatro em quatro anos, coincidindo com o terceiro ano das Olimpíadas. A fim de celebrarem o 6° ciclo, a 28 do mês de Hecatonbeon (fins de julho e princípios de agosto) que tinha como fim principal festejar a Confederação de Delos, concebida por Péricles. Segundo alguns autores durava 4, 6, até 9 dias respectivamente.

Salvas a Atena!

Image from google – unknown artist.